A 3 de novembro o portal oficial publicou o decreto n.º 672-PP, de 29 de outubro, que aprova as principais orientações da política de dívida pública da província de Sverdlovsk para 2027 e o período de planeamento de 2028 e 2029. Doze páginas, assinadas pelo governador em exercício, A. Chmykov, digitalizadas sem camada de texto; lemo-las como imagens nesta sessão.

Em agosto noticiámos que o decreto n.º 1095 adiou para 2030 os reembolsos de créditos orçamentais que as regiões deviam pagar em 2026. Esse decreto dizia o que as regiões deixavam de pagar. Não dizia o que deviam fazer com o dinheiro. Sverdlovsk diz o que fez com a sua parte, na segunda secção do seu próprio ato normativo:

«O reembolso de parte do terço da dívida proveniente da soma consolidada da dívida, no montante de 3,1 mil milhões de rublos, previsto para 2026, foi transferido para 2030. Os fundos libertados em resultado da transferência para data posterior do reembolso de parte do terço da dívida proveniente da soma consolidada da dívida foram afetados a medidas de apoio social relacionadas com a condução da operação militar especial.»

Três mil e cem milhões de rublos que Moscovo devia cobrar este ano e não cobrou, identificados no texto da própria região como dinheiro para pagamentos ligados à guerra.

O acordo de onde isto sai

Em 2025 a província assinou com o Ministério das Finanças federal um acordo adicional único — o decreto chama-lhe IeDS — que consolidou a dívida dos créditos orçamentais contraídos entre 2010 e 2022. As condições, tal como o documento as expõe:

montantecalendário
capital consolidado48,9 mil milhõesreembolso 2025-2039
um terço15,9 mil milhõesreembolsado 2025-2034
dois terços33,0 mil milhõestransferidos para 2030-2039, em parcelas anuais iguais, com perdão possível

O perdão dos dois terços está condicionado a que o dinheiro libertado vá para medidas dos programas estatais da província, e o decreto enumera os fins permitidos por esta ordem: habitação e serviços urbanos, realojamento de cidadãos de habitações degradadas, aquisição de material circulante de transporte público, execução de novos projetos de investimento, recapitalização do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico da Indústria da província e «medidas de apoio social relacionadas com a condução da operação militar especial». Cada medida carece de aprovação do presidium (estado-maior) da Comissão Governamental para o Desenvolvimento Regional.

Essa maquinaria já funcionou: ao abrigo do acordo foram perdoados em 2025 e 2026 5,2 mil milhões de rublos de dívida da província em créditos orçamentais, dos quais 2,6 mil milhões em 2025.

Os 3,1 mil milhões da frase citada são outra parte do mesmo acordo. Pertencem ao terço que tem de ser devolvido — a parte que o perdão não toca — e moveram-se porque o decreto n.º 1095 transferiu para 2030 a prestação de 2026 de todas as regiões. Ao perdão está anexa uma lista de fins permitidos. Ao adiamento, tal como foi publicado em agosto, não está nenhuma. Esta é a primeira região, de entre as que lemos, que declara para onde foi o dinheiro adiado.

Não é uma região em dificuldades

A frase pesa por causa do balanço à sua volta. Sverdlovsk é o oposto das regiões que os documentos deste outono mostram a endividar-se junto da banca.

dívida a 1 de janeiro20252026
créditos de instituições de crédito0,00,0
garantias0,00,0
créditos orçamentais69,9 mil milhões (75,5%)65,3 mil milhões (85,0%)
títulos22,7 mil milhões (24,5%)11,5 mil milhões (15,0%)
total92,6 mil milhões76,9 mil milhões

Os valores são do próprio decreto, arredondados de milhões de rublos a uma decimal, pelo que as componentes não somam sempre o total impresso: na primeira coluna somam, na segunda não.

A dívida caiu 15,7 mil milhões de rublos, ou 17,0%, num ano em que a província não contraiu um único empréstimo novo de mercado. O peso da dívida passou de 21,5% das receitas sem transferências gratuitas para 17,2%, e a sua parte de mercado de 5,3% para 2,6%. O serviço custou 1,9 mil milhões de rublos, menos um terço do que em 2024 e 0,4% de toda a despesa. O prazo médio ponderado até ao reembolso integral da carteira era de 11,8 anos a 1 de janeiro de 2026, contra 6,3 um ano antes. A ACRA confirmou a notação AA+(RU) em abril de 2026 e a Expert RA a ruAA em junho; a avaliação do Ministério das Finanças de 2025 colocou a província no grupo das regiões com elevado nível de sustentabilidade da dívida.

O documento de ontem vinha de Murmansk, que deve aos bancos 57,6% da sua dívida e paga 7,4 mil milhões por ano para a servir. Sverdlovsk não deve nada aos bancos e paga 1,9. Ambas encaminham o mecanismo federal no mesmo sentido.

O que fechou realmente o défice de 2025

A província terminou 2025 com um défice de 34,2 mil milhões de rublos, ou 7,7% das receitas sem transferências gratuitas. O decreto é explícito quanto ao que o pagou:

«O défice foi de facto coberto por reservas sob a forma de saldos na conta única do orçamento, formadas graças à política orçamental anticíclica conduzida nos anos anteriores, o que permitiu evitar a contração de endividamento de mercado caro.»

A brecha que isso cobriu tem forma própria. As receitas fiscais e não fiscais cresceram 3,6% para 446,3 mil milhões, mas as suas duas metades moveram-se em sentidos opostos: o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares +15,7% para 174,9 mil milhões, o imposto sobre os lucros das empresas −13,0% para 136,6 mil milhões. A despesa cresceu 13,5% para 525,4 mil milhões, e o bloco social dentro dela 19,5% para 356,9 mil milhões — a rubrica «política social» 35,0%, para 141,2 mil milhões.

Uma região cuja base do imposto sobre os lucros está a encolher, cuja despesa social cresce um terço por ano e que decidiu não se endividar paga a diferença com o dinheiro que tinha poupado. Os 3,1 mil milhões adiados são uma segunda prestação da mesma lógica: o dinheiro que não vai para Moscovo é dinheiro que não é preciso tirar do saldo.

O dinheiro parado rende mais do que custa a dívida

Vale a pena pôr lado a lado um par de números da mesma secção. Em 2025 a província ganhou 15,1 mil milhões de rublos ao colocar fundos orçamentais temporariamente livres em depósitos bancários, a uma taxa média ponderada de 19,6% ao ano. No mesmo ano pagou 1,9 mil milhões para servir toda a sua dívida.

A província ganhou com o seu dinheiro parado cerca de oito vezes o que lhe custou servir a sua dívida. É uma vantagem real de não ter dívida de mercado, e é também uma medida de quanto dinheiro estava na conta em vez de ser gasto. Ambas as metades estão agora a cair: os rendimentos de depósitos descem com as taxas, e o próprio saldo é o que cobriu o défice do ano passado.

A província escreve «consolidação» no seu próprio objetivo

O capítulo 4 fixa a meta dos três anos abrangidos pela política:

«Em 2027-2029 o objetivo principal da política de dívida será assegurar e manter a estabilidade e a sustentabilidade a longo prazo do sistema orçamental da província de Sverdlovsk em condições de necessidade de consolidação orçamental, através de uma gestão eficaz da dívida pública.»

As condições em que espera trabalhar estão no capítulo 3: a manutenção pelo Banco da Rússia de condições monetárias restritivas, um crescimento contido das receitas do orçamento provincial, a necessidade de atingir os objetivos nacionais de desenvolvimento e de cumprir as obrigações sociais perante a população — e a descida da liquidez do orçamento provincial. O mesmo ponto regressa como segunda entrada do registo de riscos do capítulo 6, a seguir ao risco de um défice muito acima do previsto.

O capítulo 5 enumera os instrumentos para 2027-2029: créditos orçamentais, títulos próprios da província a médio e longo prazo e créditos de instituições de crédito — estes últimos sem qualquer utilização há dois anos — com o princípio declarado de «prioridade absoluta dos créditos orçamentais, enquanto instrumento de reposição do saldo de fundos na conta única do orçamento provincial, sobre os tipos de endividamento de mercado».

O acordo com o Ministério das Finanças fixa as condições de um eventual regresso ao mercado. A dívida de mercado, incluindo a dos municípios da região, não pode exceder 25% das receitas do orçamento consolidado sem transferências gratuitas; os créditos de bancos, bancos estrangeiros e organizações financeiras internacionais só podem ser contraídos a taxas não superiores à taxa diretora acrescida de 2,5 pontos percentuais. Esse teto é o que o n.º 1095 baixou de «mais 3,5» em agosto passado. A moratória sobre novas garantias estatais deve ser prorrogada.

O ano em curso já vai no sentido inverso. A 1 de julho de 2026 as receitas da província eram de 224,4 mil milhões de rublos, 1,2% abaixo do mesmo período de 2025, e a despesa de 235,9 mil milhões, 0,2% acima. A dívida estava em 77,4 mil milhões — acima dos 76,9 mil milhões com que começou o ano —, dos quais 65,9 mil milhões, ou 85,1%, créditos orçamentais e 11,5 mil milhões, ou 14,9%, títulos. Os créditos bancários e as garantias continuam a zero.

O que isto significa para a série que seguimos

Medimos o saldo consolidado dos orçamentos regionais como um total móvel de doze meses de todas as regiões da Rússia em conjunto. Está num défice de 1,466 biliões de rublos, com uma pontuação de 33 em 100 face a uma âncora de pré-guerra — um excedente de 0,661 biliões no final de 2021 — e a uma linha de alerta registada em 2,5 biliões de défice. O nosso guia sobre os orçamentos regionais explica como a série é construída. Este decreto não move nada disso: a leitura regional não mudou na passagem desta manhã, e o índice de solidez está em 46 em 100, em zona de stress.

O que acrescenta é um destino. Quando o adiamento foi publicado escrevemos que os pagamentos cancelados para 2026 melhoram o saldo regional sem um rublo de receita nova, e que a imagem espelhada cai sobre o défice federal como cobranças que o centro não fará. Sverdlovsk fornece agora o terceiro lado: em pelo menos uma região o dinheiro não cobrado foi gasto em apoio social ligado à guerra, e a região que assim o gastou é uma das financeiramente mais sólidas do país.

Quem mais o pôs por escrito

A política de dívida da Crimeia, publicada a 22 de outubro, foi o primeiro ato regional que lemos a apontar a despesa de guerra como destino dos fundos libertados — imputados, no seu caso, a despesas já realizadas em 2024 e 2025, ao abrigo da cláusula das regras federais que isenta as regiões de baixa capacidade orçamental. No caso de Belgorod o destino existia apenas no discurso do primeiro-ministro; o despacho em si nada dizia. Ivanovo fez do perdão o seu método de reduzir dívida sem dizer o que o dinheiro comprava.

Sverdlovsk é o mais claro dos quatro casos e o mais difícil de arrumar como penúria. Prende o destino ao adiamento e não ao perdão, fá-lo no passado consumado e fá-lo enquanto declara zero dívida bancária, zero garantias, uma notação AA+ e um peso da dívida a descer pelo segundo ano.

O que não sabemos

Ao abrigo de que cláusula. As regras federais permitem afetar os fundos libertados a despesa de guerra às regiões cuja capacidade orçamental calculada em 2026 antes da equalização não excedesse 0,9. O decreto não cita a cláusula, não dá a capacidade da província e não foi publicada qualquer lista de regiões elegíveis — a mesma lacuna que registámos em agosto. Se Sverdlovsk cabe nessa isenção, ou se a linha da guerra se tornou entrada corrente nestes acordos, não se estabelece a partir deste documento.

Como se divide o dinheiro. Dos 5,2 mil milhões perdoados e dos 3,1 mil milhões adiados, o decreto não diz quanto foi para apoio ligado à guerra e quanto para os outros cinco fins permitidos.

Quanto resta de almofada. O saldo da conta única do orçamento não aparece em nenhuma das doze páginas, nem a 1 de janeiro de 2026 nem a 1 de julho de 2026. A reserva que cobriu um défice de 34,2 mil milhões não pode ser medida a partir deste texto, e por isso também não quantos anos mais cobriria outro.

O que a província tenciona pedir emprestado. A política nomeia instrumentos, princípios, riscos e limites para 2027-2029, e nem um único montante. Esses números pertencem ao projeto de lei do orçamento, que não apareceu no portal nesta janela.

O que o ano está a fazer. A execução mais recente no documento é a de 1 de julho de 2026. Não há números a nove meses, pelo que a queda de receitas de 1,2% já tem meio ano.