Entre 10 e 12 de setembro o governo assinou quatro ordens que transferem dinheiro do seu fundo de reserva para orçamentos regionais — para despesas ausentes do plano aprovado. Em conjunto transferem 4 906,5 milhões de rublos. Três mencionam a República da Chechénia e somam 3 586,4 milhões de rublos, ou seja 73,1% do total: 3,6 mil milhões em três dias para uma só região. Só a primeira das quatro foi anunciada: o canal do Ministério das Finanças descreveu-a a 9 de setembro sem nomear o ato. Das outras três não encontrámos menção, e da mais recente, publicada a 12 de setembro, nenhuma.
A ordem mais recente: devolver o dinheiro a uma região cinco meses depois
A ordem n.º 2506-r, de 12 de setembro de 2026, tem uma única página, uma digitalização sem camada de texto; lemo-la. O ponto 1 dispõe:
«Atribuir em 2026 ao Ministério das Situações de Emergência da Rússia, para a concessão de outra transferência interorçamental ao orçamento da República da Chechénia destinada ao suporte financeiro de determinadas medidas de liquidação da situação de emergência ocorrida em resultado da passagem de um conjunto de fenómenos meteorológicos desfavoráveis em março – abril de 2026 nos territórios da República do Daguestão e da República da Chechénia, dotações orçamentais no montante de 134178 milhares de rublos a cargo do fundo de reserva do Governo da Federação da Rússia, tendo em vista o reembolso das despesas realizadas em 2026 pelo orçamento da República da Chechénia…»
A soma é repartida em três, em milhares de rublos: 8 778 para apoio material único aos cidadãos; 77 748 para apoio financeiro pela perda parcial de bens de primeira necessidade; 47 652 pela perda total desses bens. Somam exatamente 134 178. O ministério deve fiscalizar a aplicação e apresentar relatório ao governo até 1 de março de 2027.
As palavras que contam são «reembolso das despesas realizadas». Não é dinheiro enviado para enfrentar uma catástrofe; é dinheiro devolvido a uma região que já a enfrentou com o seu próprio orçamento. O mau tempo foi em março e abril. A ordem que reembolsa a Chechénia tem data de 12 de setembro — cinco meses depois do fim desse período.
Durante quanto tempo a região suportou efetivamente o custo não é coisa que este documento resolva, e não o afirmaremos: o ato data a emergência, mas não os pagamentos, dizendo apenas que as despesas foram realizadas «em 2026». O que estabelece, isso sim, é o funcionamento do mecanismo. Primeiro a região paga aos seus habitantes, depois o centro decide se a reembolsa, a partir de um fundo guardado para o imprevisto e não através de uma transferência planeada.
O Daguestão é nomeado no ato e não recebe nada
A emergência descrita pela ordem atingiu «os territórios da República do Daguestão e da República da Chechénia». O Daguestão aparece nessa fórmula e em mais lado nenhum: a transferência vai apenas para a República da Chechénia. O ato não dá qualquer razão, e não conseguimos apurá-la — o Daguestão pode ter sido reembolsado antes por ato próprio, pode não ter apresentado pedido, ou o seu ato pode estar entre os ainda não publicados.
Mais duas ordens, e o que significa «cofinanciamento» a 99%
As duas ordens de maior valor foram assinadas a 10 de setembro e ambas passam pelo ministério dos recursos naturais para financiar instalações de tratamento de resíduos urbanos.
A ordem n.º 2470-r atribui 2 452 229,1 milhares de rublos do fundo de reserva a título de apoio financeiro único, sob a forma de subvenção do orçamento federal ao orçamento da República da Chechénia, para cofinanciar as obrigações de despesa da república com a construção do complexo ecológico republicano de processamento de resíduos «Tecnoparque», em Grózni, destinado ao tratamento de materiais secundários. A parte federal é fixada «num nível não superior a 99 por cento», tendo em vista que a instalação atinja em 2026 um grau de prontidão técnica não inferior a 100 por cento, o que, diz o ato, reduzirá os riscos associados à não conclusão da obra.
A ordem n.º 2483-r atribui pela mesma via 179 628,9 milhares de rublos à região de Arkhangelsk, que os encaminha como subvenção à sociedade anónima Operador Ecológico de Arkhangelsk para trabalhos e serviços num complexo de tratamento e eliminação de resíduos sólidos urbanos com capacidade de 70000 toneladas por ano, no distrito de Kotlas. Aqui a parte federal é «não superior a 98 por cento», e o ato enuncia o seu motivo sem rodeios: o encarecimento do custo estimado de construção da obra em 2026, tendo em vista obter em 2026 a licença de entrada em funcionamento.
Há duas coisas a separar. A segunda ordem aponta uma derrapagem de custos como razão — um ato que reconhece abertamente que o orçamento da obra não se aguentou. E ambas usam a palavra cofinanciamento para um arranjo em que o orçamento federal cobre até 99% e até 98% da obrigação. Uma obrigação de despesa regional paga em nove décimos ou mais pelo centro é uma despesa federal sob um nome regional.
Ambas as percentagens são tetos, não medições. Nenhum dos atos indica o custo total da sua instalação nem o montante que a região efetivamente coloca, pelo que a contribuição regional não pode ser calculada a partir destes documentos — apenas delimitada em não menos de 1% e 2%, respetivamente.
Quanto somam as quatro ordens
Em milhares de rublos: 2 140 500 pela ordem n.º 2462-r de 10 de setembro, que distribuiu dotações de equilíbrio por quatro regiões e sobre a qual escrevemos a 11 de setembro; 2 452 229,1 pela 2470-r; 179 628,9 pela 2483-r; e 134 178 pela 2506-r. As quatro perfazem 4 906 536,0 milhares de rublos — 4 906,5 milhões.
A Chechénia recebe dinheiro através de três delas: 1 000 000 milhares da distribuição por quatro regiões, 2 452 229,1 para o complexo de Grózni e 134 178 de reembolso. São 3 586 407,1 milhares de rublos, ou seja 3 586,4 milhões. Dentro da própria distribuição por quatro regiões, o 1 000 000 da Chechénia em 2 140 500 é 46,7%.
Não podemos afirmar que sejam todas as ordens sobre o fundo de reserva desses três dias, e a falha não é pequena: no fluxo oficial de publicação faltam onze números consecutivos, de 2491 a 2501, e a dotação à República da Crimeia inscrita na própria lista de decisões do governo de 9 de setembro continua sem ato publicado e sem montante publicado. As quatro acima são as que foram publicadas e que lemos.
Porque o interessante é justamente o fundo para o imprevisto
O fundo de reserva do governo é, ele próprio, uma dotação aprovada; aquilo em que é gasto não é. Esses destinos decidem-se ao longo do ano, fora da distribuição da despesa aprovada. Usá-lo uma vez não é digno de nota; usá-lo quatro vezes em três dias para assuntos regionais inteiramente correntes — uma central de resíduos, uma derrapagem de obra, apoios após mau tempo e o equilíbrio orçamental geral — diz alguma coisa sobre onde acaba o plano e começa a improvisação.
A direção é a mesma que seguimos desde que Kurgan e a Região Autónoma Judaica viram perdoada a dívida de créditos orçamentais, passando pelo crédito do tesouro aberto a todas as regiões, o excedente regional que afinal era Moscovo, as propostas do Conselho da Federação sobre taxas fixas para empréstimos regionais e as dotações de equilíbrio anunciadas como dinheiro para a saúde. As regiões não fecham os seus orçamentos sozinhas; fecha-os o centro, e nestes quatro casos a partir de um fundo pensado para aquilo que ninguém planeou.
O que isto muda no nosso modelo
Nada.
Os orçamentos regionais pontuam 28 em 100, com o saldo regional consolidado móvel de doze meses em −1,616 biliões de rublos. Face a isso, os 4 906,5 milhões das quatro ordens são 0,30% e os 3 586,4 milhões da Chechénia são 0,22% — nenhum deles é visível na série.
Vale a pena repetir o que essa série não consegue mostrar. Uma transferência federal melhora aritmeticamente o saldo regional consolidado sem mudar nada nas receitas próprias de uma região: o buraco é tapado com dinheiro federal, e o indicador regista o buraco tapado, não quem o tapou. O índice de solidez está em 46,8 em 100, na zona de stress; na atualização de dados de hoje nenhum indicador se mexeu.
O que não sabemos
Porque o Daguestão não recebe nada ao abrigo de um ato que o nomeia como território afetado.
O que resta no fundo de reserva. Os documentos publicados não suportam o cálculo, e não é publicado qualquer saldo corrente.
Quanto custam no total as duas instalações de resíduos e, por conseguinte, que parcela pagam realmente as regiões perante tetos de 99% e 98%.
O que contêm as onze ordens não publicadas, números 2491 a 2501, e quando surgirá a dotação à Crimeia. A decisão sobre a Crimeia tem data de 9 de setembro e a sua ordem continua sem aparecer.
Se estas atribuições acrescem às transferências já previstas para 2026 ou são uma redistribuição dentro delas. Nenhuma das quatro ordens o diz, e é essa distinção que decide se se trata de dinheiro novo.