Os orçamentos regionais russos estão excedentários. A 2 de setembro, o banco central da Rússia publicou a edição de setembro do seu relatório sobre a economia regional. A caixa 1 dá o número: entre janeiro e julho de 2026, os orçamentos consolidados dos sujeitos da Federação fecharam com um excedente de 188 mil milhões de rublos, contra 249 mil milhões um ano antes. A mesma caixa mostra a seguir de onde vem esse excedente: de dois sujeitos da Federação.
O que diz a caixa
O relatório abrange sete macrorregiões. As receitas cresceram nas sete, mas a ritmos muito diferentes — de 1,2% em termos homólogos nos Urais a 15,3% no Extremo Oriente. Tanto as receitas como a despesa ficaram atrás do orçamento federal: 5,5% e 6,0% contra 8,8% e 14,5%.
Depois vem a composição:
«O excedente veio sobretudo da Rússia Central, cujo orçamento consolidado fechou com um excedente de 278 mil milhões de rublos (369 mil milhões de rublos no mesmo período de 2025). Mas é assegurado quase por completo por Moscovo e pela província de Moscovo; sem ambas, os orçamentos regionais do distrito fecharam com um défice de 26 mil milhões de rublos (excedente de 7 mil milhões de rublos).»
E a expectativa para o fecho do ano:
«Para o conjunto de 2026, espera-se um saldo negativo dos orçamentos consolidados em todas as macrorregiões. O défice previsto para 2026 também foi revisto em alta — na macrorregião do Volga-Viatka, por exemplo, subiu para 228 mil milhões de rublos.»
A conta que a caixa não escreve
Dois destes números podem juntar-se. A Rússia Central produziu 278 mil milhões de excedente; sem Moscovo e a província de Moscovo, o mesmo distrito regista um défice de 26 mil milhões. Os dois, juntos, produziram portanto 304 mil milhões. O total nacional é de 188 mil milhões. Todo o resto do país — as restantes regiões da Rússia Central e as seis macrorregiões que sobram — soma, por conseguinte, menos 116 mil milhões de rublos.
O mesmo cálculo com os números do ano passado, que a caixa fornece entre parênteses: Moscovo e a sua província produziram 362 mil milhões; o resto do país, menos 113 mil milhões. Comparando os dois anos, quase toda a deterioração está num só sítio: o excedente nacional caiu 61 mil milhões, dos quais 58 mil milhões cabem a Moscovo e à sua província, enquanto o resto do país se moveu 3 mil milhões.
É a diferença entre um total e a sua composição, e uma das leituras enganadoras que este sítio existe para corrigir. A quem lê que as regiões russas estão excedentárias foi dito algo verdadeiro. Quem daí retire uma descrição do estado das regiões foi induzido em erro por um agregado que dois sujeitos sustentam sozinhos.
Como se cobre a diferença
A caixa é explícita quanto ao financiamento. A primeira fonte é o dinheiro já depositado nas contas; depois, as regiões «começaram a recorrer a créditos bancários para cobrir desfasamentos de tesouraria». Com a taxa diretora a descer, o endividamento comercial torna-se mais acessível, e o relatório assinala que aumenta em todas as macrorregiões. No Extremo Oriente, o banco central regista uma variante do mesmo movimento: com o volume total da dívida comercial inalterado, a província de Sacalina amortiza mais depressa os créditos de taxa elevada e substitui-os por outros mais baratos, para reduzir o custo do serviço da dívida.
Em sentido contrário atua a anulação federal de dívida. Ao abrigo do mecanismo que anula até dois terços da dívida por créditos orçamentais — em execução das instruções do presidente após o seu discurso de 2024 —, o governo anulou em 2026 a dívida de 60 regiões num valor superior a 260 mil milhões de rublos.
Os mesmos sete meses reúnem, assim, um subsídio federal concedido retroativamente sob a forma de anulação de dívida e uma passagem alargada para dívida comercial que as regiões vão servir durante anos.
O decreto que ontem não encontrámos
Ontem escrevemos que o crédito do Tesouro «a pedido» tinha sido alargado a todas as regiões a partir de 1 de setembro e que o decreto governamental correspondente não constava do portal de atos jurídicos. Estava errado, e a correção pesa mais do que a observação inicial.
O ato é o decreto n.º 1015, de 18 de agosto de 2026, publicado a 20 de agosto com o número de publicação 0001202608200045, onze dias antes do comunicado do ministério das Finanças. Só se encontra percorrendo por ordem os blocos do portal, porque o seu título não contém nenhuma das palavras que o comunicado usa: juridicamente trata-se de um «crédito orçamental para repor o saldo de fundos na conta única do orçamento», ao abrigo do artigo 93.6 do código orçamental.
O decreto contém três elementos que não estão no comunicado.
É uma experiência e dura um ano. O ponto 1 incumbe o Tesouro Federal de a conduzir «em 2026»; o ponto 2 obriga o ministério das Finanças e o Tesouro a apresentar ao governo, até 31 de março de 2027, um relatório sobre o seu decurso. Não é um elemento permanente das relações entre níveis orçamentais, mas uma medida que pode simplesmente não ser prorrogada.
Os participantes são designados pelo ministério, não pelo mapa:
«3. Estabelece-se que os participantes na experiência são: o Ministério das Finanças da Federação da Rússia; o Tesouro Federal (os órgãos territoriais do Tesouro Federal); os sujeitos da Federação da Rússia designados pelo Ministério das Finanças da Federação da Rússia.»
Uma região que queira um descoberto mensal barato em vez de um crédito comercial depende de uma decisão do ministério federal. Colocado ao lado da caixa acima — o endividamento comercial alastra em todas as macrorregiões —, isto significa que a alternativa barata existe e é atribuída a regiões designadas pelo nome.
E a taxa não consta de todo do ato. O ponto 14 remete para a taxa fixada pela parte 3 do artigo 11 da lei do orçamento federal para 2026 e o período de planeamento de 2027 e 2028. Os 0,1% de que demos conta ontem são o número do ministério das Finanças no seu comunicado, não o do decreto.
O decreto responde ainda a algo que ontem registámos como desconhecido. Se uma região não reembolsar a tempo, o ponto 16 determina que o órgão territorial do Tesouro rescinda o contrato unilateralmente; a cobrança da dívida, incluindo multas e juros de mora, rege-se pelo segundo parágrafo do ponto 5 do artigo 93.6. O reembolso vence nos primeiros cinco dias úteis do mês seguinte ao da utilização, o pedido é apresentado o mais tardar no dia útil anterior e os juros pagam-se até 30 de dezembro de 2026. O ponto 5 liga além disso o acesso aos requisitos das regras aprovadas pelo decreto n.º 721, de 20 de agosto de 2013: é, portanto, uma variante de um instrumento que existe há treze anos, e não um instrumento novo.
O que continua a faltar é a lista. O ato não nomeia as regiões designadas pelo ministério nem fixa qualquer montante: o ponto 9 diz que o montante segue as propostas do ministério das Finanças e não pode exceder o previsto no ponto 2 do artigo 93.6.
A base das receitas
No mesmo dia, o Rosstat publicou o seu relatório de janeiro a julho, que descreve o que está a acontecer à base do imposto sobre o lucro em que assentam as receitas próprias das regiões. No primeiro semestre de 2026 o resultado financeiro líquido das organizações foi de 11 696,2 mil milhões de rublos — 86,7% do mesmo período do ano passado. 42,7 mil organizações obtiveram lucros de 17 058,0 mil milhões de rublos; 21,5 mil registaram prejuízos de 5 361,8 mil milhões.
«No primeiro semestre de 2026, segundo dados provisórios, a proporção de organizações com prejuízo aumentou 3,1 pontos percentuais face ao período correspondente do ano anterior e situou-se em 33,5%.»
Uma organização em cada três. A repartição setorial é ainda mais nítida: a extração de carvão registou um prejuízo de 153,3 mil milhões de rublos com 67,3% de empresas deficitárias e uma rendibilidade de −1,2% sobre as vendas e de −4,1% sobre os ativos; a produção metalúrgica perdeu 37,9 mil milhões com 41,6% de empresas deficitárias. A indústria transformadora no seu conjunto ficou-se pelos 72,9% do ano anterior. O único grande ramo que segue em sentido contrário é a extração de petróleo e gás natural: 2 179,9 mil milhões de rublos, 173,5%.
É aqui que os dois documentos se encontram. A caixa do banco central, ao enumerar onde caíram as receitas do imposto sobre o lucro, cita a província de Kemerovo pelas dificuldades persistentes do carvão e a de Sverdlovsk pela menor produção metalúrgica. O Rosstat, a partir de outra compilação, dá os números nacionais desses mesmos dois ramos. São duas fontes independentes sobre um mesmo fenómeno.
O que isto muda no nosso modelo
Hoje nada, e convém formular a razão com precisão. Os orçamentos regionais pontuam 28 em 100; o saldo consolidado móvel de doze meses situava-se em −1,616 biliões de rublos em julho. Os 188 mil milhões do banco central não são uma atualização desse número. O nosso é um saldo móvel de doze meses construído com dados do ministério das Finanças; o da caixa é um acumulado de janeiro a julho do sistema «Orçamento Eletrónico». São duas grandezas distintas, e juntá-las seria um erro.
O que a caixa acrescenta, a nossa série não contém de todo: uma decomposição. O nosso número diz que, a doze meses, as regiões estão em défice. O do banco central diz que, nos sete meses em que estiveram coletivamente excedentárias, dois sujeitos geraram esse excedente.
O que não sabemos
A caixa dá saldos absolutos apenas para duas macrorregiões — a Rússia Central com +278 mil milhões e os Urais, cujo défice se reduziu a 66 mil milhões graças a um aumento de 2,5% das receitas próprias sem crescimento da despesa. O resto aparece na figura В-1-5, sem etiquetas numéricas. Também não há repartição dos 304 mil milhões entre Moscovo e a província: esse valor é a soma dos dois.
Falta igualmente um montante para o endividamento comercial. «Começaram a recorrer» é tudo o que se diz, sem volume, para nenhuma macrorregião. E a previsão de saldo negativo em toda a parte em 2026 assenta nos próprios planos orçamentais das regiões, não numa estimativa independente; o banco central acrescenta que o resultado dependerá do grau de execução efetiva da despesa face a esses planos e da cobrança de receitas próprias.
Quanto ao crédito do Tesouro, continuam a faltar os dois elementos que o tornariam mensurável: que regiões o ministério das Finanças designou e quanto podem utilizar. Os números do Rosstat são provisórios e serão revistos, e o seu relatório exclui as pequenas empresas; a estatística regional do banco central, segundo a sua própria nota, é publicada sem as regiões ucranianas ocupadas que a Rússia reivindica como Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson.