Desde 1 de setembro, os postos de abastecimento russos só podem vender gasolina automóvel e gasóleo como combustíveis líquidos. É o que exige o decreto n.º 1112, de 29 de agosto, publicado no dia 31. Desde 5 de agosto, o decreto n.º 976 define o que conta como gasolina: até 1 de julho de 2027 pode ser colocado em circulação combustível das classes ambientais K2, K3 e K4, incluindo combustível com uma fração de metanol até 3 por cento em volume. Todo o regime assenta no decreto presidencial n.º 509, de 24 de julho de 2026, que não consta do portal oficial de publicação de atos jurídicos.

O que permite o decreto n.º 976

A parte dispositiva começa assim:

«1. Estabelecer que até 1 de julho de 2027 é permitida: a colocação em circulação e a circulação no território da Federação da Rússia de gasolina automóvel das classes ambientais K3, K4, incluindo com uma fração volumétrica de metanol não superior a 3 por cento, K2 e K5, e de gasóleo das classes ambientais K2, K3, K4 e K5 sem ter em conta os requisitos do ponto 4.1 do artigo 4.º (na parte respeitante à conformidade da gasolina automóvel das classes ambientais K3 e K4 com as normas relativas à fração volumétrica de metanol) e do artigo 7.º do regulamento técnico da União Aduaneira…»

O mesmo é permitido para a gasolina importada. O ponto 2 acrescenta uma regra de reclassificação: a gasolina importada que corresponde às características da classe K5 mas contém até 3% de metanol «é reconhecida como gasolina automóvel das classes ambientais K3 e K4». O decreto não indica qualquer volume: nem quanto combustível deste tipo se espera nem que parte das vendas representa.

O decreto que não está no portal

O título do decreto n.º 976 reproduz o seu fundamento palavra por palavra: «Sobre a execução das medidas previstas no Decreto do Presidente da Federação da Rússia de 24 de julho de 2026 n.º 509 “Sobre algumas medidas para aumentar a fiabilidade do abastecimento de combustível na Federação da Rússia”». Verificámos o bloco de atos presidenciais em publication.pravo.gov.ru relativo ao período de 4 de julho a 31 de agosto de 2026: contém 83 decretos publicados, numerados de 476 a 625. O decreto n.º 509 não está entre eles.

A lacuna na numeração nada prova por si só: nesse mesmo intervalo, cerca de metade dos números nunca é publicada — decretos relativos a pessoal, condecorações e outros atos que não chegam ao portal. A prova está noutro lugar. O mesmo mecanismo tem um antecessor de título idêntico: o decreto n.º 819, de 2 de julho de 2026, executava o decreto presidencial n.º 725, de 12 de outubro de 2025, «Sobre algumas medidas para aumentar a fiabilidade do abastecimento de combustível na Federação da Rússia». O decreto n.º 725 também não está no portal — embora o decreto n.º 724, «Sobre algumas medidas de carácter económico na esfera dos combustíveis e da energia», assinado no mesmo dia, tenha sido publicado e abra as publicações desse dia.

Assim, há quase um ano que as regras sobre o que pode legalmente entrar num depósito assentam em atos presidenciais cujo texto não é público. Deles sabemos apenas o que os decretos governamentais publicados transmitem nos respetivos títulos e preâmbulos.

Como a fasquia foi baixada

O decreto n.º 819 tinha um alcance mais estreito. Até 31 de dezembro de 2026 admitia a colocação em circulação de uma gasolina que continuava classificada como K5:

«…gasolina automóvel da classe ambiental K5 com uma fração mássica de enxofre não superior a 150 miligramas por quilograma, uma fração volumétrica de hidrocarbonetos aromáticos não superior a 42 por cento, de monometilanilina não superior a 1 por cento, de oxigenados (etanol) não superior a 5 por cento e (ou) gasóleo da classe ambiental K5 com uma fração mássica de enxofre não superior a 350 miligramas por quilograma sem ter em conta os requisitos do regulamento técnico da União Aduaneira…»

O mesmo texto dizia que tal combustível não leva a marca única de conformidade do mercado da União Económica Eurasiática e não pode ser colocado em circulação nos outros Estados-membros. O ponto 2 proibia o Rosstandart de controlar a conformidade desses produtos com o regulamento técnico em instalações da categoria «Líquidos inflamáveis armazenados em depósitos de mercadorias e matérias-primas». O ponto 4 do decreto n.º 819 não tem texto algum — apenas a menção «Para uso interno». Já encontrámos esta estrutura a 30 de agosto: três das quinze exceções à proibição de exportar combustível estão sem texto pela mesma razão.

A diferença entre julho e agosto é a que separa a flexibilização dos parâmetros da descida de classe. O n.º 819 mantinha o combustível na classe K5 apesar dos piores valores. O n.º 976, que o revogou, permitiu classificá-lo como K2. Alargou-se também a lista de quem pode colocar tal combustível em circulação: aos titulares de certificados de registo para a refinação de matéria-prima petrolífera juntaram-se os titulares de certificados para operações com gasolina de destilação direta, os depósitos petrolíferos que prestam serviços de mistura e as organizações autorizadas a vender gasolina e gasóleo produzidos por uma organização estrangeira fora da Bielorrússia. O decreto também simplifica as formalidades aduaneiras: durante o armazenamento temporário não é exigida garantia de pagamento de direitos e impostos, e a declaração passa pelo posto aduaneiro da Energia, código 10006060.

O que muda na bomba

O decreto n.º 1112 suspende até 30 de junho de 2027 o primeiro parágrafo do ponto 74 das Regras de venda de bens ao abrigo de contrato de compra e venda a retalho e estabelece para o mesmo período:

«no exercício do comércio a retalho de combustível líquido nos postos de abastecimento, como combustível líquido é permitida apenas a venda de gasolina automóvel e de gasóleo, que devem cumprir os requisitos da legislação da Federação da Rússia e ser fornecidos com recurso a bombas de combustível…»

A segunda instrução do mesmo ponto é o reverso da fasquia baixada: o documento de qualidade (o passaporte) passa a incluir os valores normativos e os resultados efetivos dos ensaios, precisamente «tendo em conta as disposições» do decreto n.º 976. Uma vez flexibilizada a norma, a conformidade tem de ser comprovada à parte. O regulamento já não garante o que garantia antes.

Onde está aqui o dinheiro do orçamento

O decreto presidencial n.º 724 — a metade publicada do par de outubro — mostra o canal diretamente. Estabelece que o gasóleo obtido por mistura de gasóleo, querosene de aviação e outros componentes por organizações sem certificado de registo para a refinação de matéria-prima petrolífera e sem as capacidades correspondentes não é reconhecido como produto sujeito a imposto especial de consumo. E mais adiante:

«b) o cálculo da grandeza Kdemp, prevista no ponto 27 do artigo 200.º do Código Fiscal da Federação da Rússia, é determinado na ordem estabelecida sem aplicação da condição relativa aos desvios admissíveis dos preços grossistas médios de venda no período fiscal, na Federação da Rússia, da gasolina automóvel AI-92 de classe 5 e do gasóleo de classe 5 face às grandezas TsABvr e TsDTvr.»

Ou seja, o amortecedor é calculado sem aplicar a condição que o teria anulado assim que os preços grossistas saíssem do intervalo. Analisámos essa linha a 25 de agosto: o amortecedor aparece como uma rubrica negativa nas receitas de petróleo e gás. O decreto vigorou de 1 de outubro de 2025 a 1 de maio de 2026.

O que isto muda no nosso modelo

Hoje, nada. As receitas de petróleo e gás têm 14 pontos em 100. O indicador mede o nível face a 2021, não o ritmo face ao ano passado. Nenhum destes decretos move dinheiro nem fixa volumes; mudam o que pode ser vendido e em que condições.

O mecanismo, porém, chega à mesma rubrica por dois lados. Permitir K2-K4 significa que falta combustível conforme e que o Estado colmata a lacuna baixando a norma, em vez de comprar ou produzir. Isentar o gasóleo misturado de imposto especial reduz diretamente as receitas. Calcular o amortecedor sem a condição de desvio de preços aumenta diretamente o pagamento. Os dois movimentos apontam no mesmo sentido. O ficheiro mensal do Ministério das Finanças mostrará que parte disto chegou aos números de agosto e setembro. O resto está no monitor.

O que não sabemos

Acima de tudo, desconhecemos o conteúdo dos decretos n.º 509 e n.º 725. Estabelecemos apenas que não estão no portal. Não sabemos se são secretos, se têm a menção de uso interno ou se foram publicados noutro lugar. Não há qualquer dado quantitativo: nem a percentagem de combustível das classes K2-K4 nas vendas, nem quantas refinarias estão paradas, nem quanto caiu a refinação. Os atos não dizem quanto o orçamento deixou de receber pela isenção de imposto especial ao abrigo do decreto n.º 724 nem quanto custou a alteração no cálculo do amortecedor. O Rosstat, que daria os volumes físicos, está inacessível. Também não se sabe se o decreto n.º 509 será prorrogado para além de 1 de julho de 2027 nem se o seu texto alguma vez aparecerá.