A 11 de setembro o governo publicou o decreto n.º 1155, assinado no mesmo dia. Altera oito pontos das regras segundo as quais a Rússia regista o custo dos seus benefícios fiscais e avalia se estes compensam esse custo. Um desses pontos fixa o preço a que os benefícios do petróleo e do gás são medidos: o preço-base do petróleo inscrito no Código Orçamental — 59 dólares por barril este ano, com descida gradual até 55 dólares em 2030. O gabinete de imprensa do ministério das Finanças não mencionou o decreto e não existe nota explicativa.

O que diz o decreto

O ponto 20 das regras rege o efeito orçamental agregado — o teste que determina se um benefício se paga a si próprio. O seu parágrafo décimo quarto passa a ter a seguinte redação:

«Relativamente às despesas fiscais da Federação da Rússia decorrentes de benefícios no domínio do petróleo e do gás, determina-se adicionalmente o valor do efeito orçamental agregado (autofinanciamento) com base no cálculo dos indicadores Nij, Boj e gi aos preços-base do petróleo, calculados nos termos do ponto 4 do artigo 96⁶ do Código Orçamental da Federação da Rússia».

A palavra decisiva é adicionalmente. Trata-se de um segundo cálculo colocado ao lado do primeiro, não de uma substituição. Os parágrafos décimo quinto e décimo sexto do mesmo ponto são revogados; o decreto não reproduz a redação anterior.

O preço a que o teste fica ancorado

O ponto 4 do artigo 96⁶ do Código Orçamental, na redação que lhe foi dada pela lei federal n.º 432-FZ de 28 de novembro de 2025, fixa o preço-base do petróleo como preço médio anual: 59 dólares por barril em 2026, 58 em 2027, 57 em 2028, 56 em 2029 e 55 em 2030, com indexação de 2% ao ano a partir de 2031. O preço-base de exportação do gás natural é de 250 dólares por mil metros cúbicos, com a mesma indexação.

É este o preço a que a regra orçamental chama preço de corte. A 10 de setembro, o próprio canal de Telegram do ministério das Finanças reproduziu uma notícia da Interfax segundo a qual o ministro Anton Siluanov classificou como opção-base a descida do preço de corte para 50 dólares por barril — o nível em que, segundo o resumo do canal, a volatilidade dos preços teria o menor efeito sobre o equilíbrio do orçamento. 50 dólares fica abaixo de todos os degraus que a lei hoje fixa, incluindo o piso de 55 a que só chega em 2030.

O que decorre de uma nota negativa

O parágrafo segundo do ponto 23 é igualmente reformulado, e é a parte que fixa as consequências do teste:

«Os passaportes das despesas fiscais da Federação da Rússia, os resultados da avaliação da eficácia das despesas fiscais da Federação da Rússia e as recomendações resultantes da referida avaliação, incluindo as recomendações ao Ministério das Finanças da Federação da Rússia sobre a necessidade de manter (ajustar, suprimir) os benefícios concedidos aos contribuintes, são enviados pelos responsáveis pelas despesas fiscais ao Ministério das Finanças da Federação da Rússia, ao Ministério do Desenvolvimento Económico da Federação da Rússia e aos executores responsáveis pelos programas estatais da Federação da Rússia anualmente, até 30 de dezembro, sendo ainda publicados nos sítios oficiais dos responsáveis pelas despesas fiscais na rede de informação e telecomunicações “Internet” (com exceção da informação cujo acesso seja restringido por leis federais e da informação de serviço de difusão limitada) no prazo máximo de 5 dias úteis a contar da data do seu envio».

Uma nota negativa não suprime o benefício. Este torna-se objeto de uma recomendação ao ministério das Finanças: manter, ajustar ou suprimir.

As quatro alterações à própria medição

Desaparece a fase de dados revistos. No ponto 5¹ as palavras «1 de dezembro (dados revistos — até 15 de fevereiro)» são substituídas por «15 de dezembro». O decreto reproduz as duas formulações, pelo que aqui não há ambiguidade: deixa de existir o prazo posterior para números corrigidos.

O teste de utilização perde o denominador maior. No ponto 13 são suprimidas as palavras «ou do número total de contribuintes». O grau de utilização de um benefício só pode agora ser medido face ao número de contribuintes com direito potencial a ele — uma categoria que este mesmo decreto define pela primeira vez: aqueles que «podem usufruir do benefício (cumprem as condições necessárias para o obter)». Com um denominador menor, o mesmo benefício parece mais utilizado.

Os limiares podem divergir. Um novo parágrafo do ponto 13¹ permite ao responsável por uma despesa fiscal fixar limiares diferenciados para esse rácio durante os primeiros 5 anos de vigência do benefício.

Um novo ponto 16¹ abrange os benefícios para residentes de territórios de desenvolvimento prioritário, do porto franco de Vladivostok, da zona ártica, de zonas económicas especiais e da zona da região de Kaliningrado; para participantes da zona de Magadan e dos distritos curilos de Sacalina; para participantes da zona económica franca da Crimeia e de Sebastopol; e para projetos de investimento regionais. A sua eficácia passa a ser avaliada através do programa «Eficácia dos benefícios fiscais» do sistema «Nalog-3» do serviço fiscal, e o contributo de um benefício é definido como a diferença entre o investimento de capital total dos beneficiários e o investimento de capital que teria existido sem ele — sendo este último estimado a partir de um coeficiente comparativo de rendibilidade para o código de atividade correspondente. O ministério das Finanças deve fornecer ambos os números aos responsáveis anualmente, até 15 de outubro.

Porque é que classificar benefícios fiscais é uma questão orçamental

Um benefício fiscal é receita que o orçamento escolhe não cobrar. O petróleo e o gás são a única categoria a que este decreto reserva um segundo cálculo próprio, ancorado num preço fixado por lei. Este decreto não nomeia um único benefício nem um único montante, mas fixa o critério. Chega enquanto o governo prepara as projeções orçamentais para 2027-2029, que, segundo o ministério das Finanças, serão apresentadas à Duma antes do fim de setembro.

Toca na rubrica orçamental mais fraca entre as que medimos. As receitas orçamentárias de petróleo e gás pontuam 14 em 100 — receitas reais acumuladas em doze meses móveis em 56,9% do total de 2021, até julho. Segundo os números preliminares do próprio ministério, publicados no seu canal, as receitas do orçamento federal entre janeiro e agosto de 2026 foram de 25 929 mil milhões de rublos, dos quais o petróleo e o gás deram 5 019 mil milhões: 19,4% do total. A despesa dos mesmos oito meses foi de 31 724 mil milhões, uma diferença de 5 795 mil milhões que o canal do ministério apresentou como 5,79 biliões de rublos, ou 2,5% do PIB.

Na mesma semana, o banco central disse ao governo quanto custa um défice maior.

O que isto muda no nosso modelo

Nada. A forma como a Rússia classifica os seus benefícios fiscais não é uma das nossas oito componentes, e nenhuma alteração de regras entra no índice.

As receitas de petróleo e gás continuam a ser o segundo indicador mais fraco dos oito, com 14 em 100; só os créditos vencidos, com 9, estão pior. O índice de solidez está em 46,8 em 100, na zona de tensão. O único indicador que mudou na atualização de dados de hoje foi a inflação anual, de 6,0% para 6,3% em termos homólogos, fazendo a sua pontuação passar de 96 para 95.

O que não sabemos

Não temos o texto anterior. O decreto imprime a nova redação do parágrafo décimo quarto do ponto 20, mas não a antiga, e revoga o décimo quinto e o décimo sexto sem os imprimir. Não conseguimos obter uma redação consolidada anterior do decreto n.º 439. Por isso não podemos dizer a que estava ancorado o cálculo do petróleo e do gás antes de 11 de setembro, e não afirmamos que a ancoragem seja nova. A mesma lacuna vale para o ponto 23: o seu parágrafo segundo foi reformulado e o terceiro revogado, pelo que não podemos dizer se a exceção para a «informação de serviço de difusão limitada» estreita o que antes era publicado ou apenas o repete.

A fórmula não está no documento. O cálculo do autofinanciamento assenta em indicadores a que as regras chamam Nij, Boj e gi. Nenhum deles é definido no texto publicado. O que um preço-base mais baixo faz a um benefício concreto não pode, por isso, ser calculado a partir deste decreto, e não afirmamos em que sentido atuaria.

50 dólares é uma declaração, não uma norma. O Código Orçamental continua a dizer 59 dólares para 2026. As palavras do ministro chegam-nos por uma dupla intermediação — o canal do ministério cita uma agência — e o próprio gabinete de imprensa nada publicou sobre isso.

Não há data de entrada em vigor numa cláusula separada, nem nota explicativa: as fichas de projeto em regulation.gov.ru não deram resposta.